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Medicalização da vida: a dor que tentamos silenciar

  • Foto do escritor: Ricardo Lauricella
    Ricardo Lauricella
  • 9 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

medicalização da vida: o que jung diria sobre os sintomas

Viramos a geração que acorda com uma pílula, trabalha com outra, dorme com mais uma e ainda precisa de mais remédios para lidar com os efeitos colaterais das anteriores.

A nossa sociedade promete a medicalização da vida, soluções instantâneas para qualquer desconforto, mas raramente nos convida a fazer a pergunta mais importante: qual é a dor por trás do sintoma?


Atalhos e Medicalização da Vida

A pressa por atalhos nos afastou da nossa própria humanidade. A tristeza foi reduzida a um déficit de serotonina. O cansaço virou TDAH. A euforia, bipolaridade.


Não me entenda mal: há condições clínicas que precisam, sim, de tratamento médico e acompanhamento especializado. Mas a linha entre tratar e silenciar se tornou tênue. E, muitas vezes, medicalizamos a vida transformando cada sentimento em um inimigo a ser eliminado.


Para Jung, sintomas são mensageiros da psique. Ele via a ansiedade, a tristeza e até mesmo o vazio existencial não apenas como “problemas a corrigir”, mas como sinais de que algo mais profundo precisa ser olhado. Na linguagem junguiana, são conteúdos inconscientes tentando emergir para a consciência. Mensagens do Self, esse núcleo mais autêntico que busca equilíbrio e sentido.


E se sua ansiedade não for apenas um transtorno, mas um grito da sua alma pedindo mudança? E se sua tristeza não for um defeito químico, mas um luto necessário para que algo novo possa nascer?


Terapia e Análise

A análise, como fazemos, aqui na Nos Eixos, não oferece uma pílula mágica. Ela oferece um mapa.


Um caminho para compreender a origem dos seus “nós” internos, em vez de simplesmente cortar as pontas soltas.Porque nenhuma medicação, por mais potente que seja, consegue preencher o vazio de uma vida que não é sua.


Talvez o seu sintoma não seja o inimigo.Talvez ele seja a chave para a porta que você nunca teve coragem de abrir.


Ricardo Lauricella, jornalista. Analista junguiano em formação. E faz análise para diminuir as provocações das medicações.

 
 
 

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