A Maturidade como Autoridade Clínica
- Ricardo Lauricella
- 12 de mar.
- 3 min de leitura
A psicologia sempre esteve lá.

Desde a adolescência, o funcionamento da psique me atraía com uma clareza que eu ainda não sabia nomear. Mas havia, junto a esse interesse, uma percepção igualmente clara: ainda não era o momento. Faltava o que os livros não ensinam e nenhuma formação acadêmica entrega sozinha, a tenacidade da vida.
Escolhi o jornalismo como meu primeiro laboratório humano. A comunicação, a gestão de crise, a notícia, a escuta que uma redação exige de quem quer entender o que está por trás do que as pessoas dizem: tudo isso foi, em retrospecto, o início de uma formação que acontecia fora das salas de aula.
Durante vinte anos, enquanto construía uma carreira sólida em gestão de crises e relações institucionais, com passagens acadêmicas pelo Mackenzie, PUC, FGV e FIA, a psicologia nunca me deixou.
Meus estudos foram informais, mas constantes. Eu observava a dinâmica dos complexos e a força da Persona no dia a dia das redações e das diretorias de grandes organizações. Aprendi a reconhecer, nos bastidores do poder, o que Jung descreveu nos seus escritos: a distância entre o papel que uma pessoa ocupa e o ser que ela carrega por dentro.
Esse intervalo, quando ignorado por tempo demais, cobra um preço.
A Forja da Estrada
Muitos veem a transição de carreira como um recomeço. Eu a vejo como uma integração.
Minha atuação como gestor sênior foi, na prática, um longo estágio supervisionado pela realidade. Não havia manual para o que acontecia nas salas de crise: a fragilidade de quem sustenta a imagem de infalível, o colapso silencioso de quem confunde identidade com cargo, a exaustão de quem nunca recebeu permissão para não saber.
Foi na estrada que forjei a escuta que ofereço hoje. Não como metáfora, mas como processo concreto: anos de exposição ao que acontece quando a máscara é pressionada além do que a alma suporta. Quando o papel que a vida impõe e o ser que você é deixam de se falar.
Aos 40 anos, o estudo informal já não bastava. Senti-me, finalmente, autorizado pela minha própria bagagem a buscar a formação formal. O acúmulo de experiência de vida tornou-se o lastro necessário para sustentar o estudo analítico profundo. Não havia pressa - havia, pela primeira vez, a base certa.
Clínica: A Escuta de Quem Conhece o Peso
Hoje, aos 44 anos e certificado como Analista Junguiano, minha prática clínica é o ponto de encontro entre a técnica acadêmica e a vivência executiva.
Não sou um analista que apenas leu sobre o colapso da Persona, sobre psicologia profunda, analítica, junguiana. Sou alguém que viu esse colapso acontecer em salas de reunião, o reconheceu pelo nome antes de ter o vocabulário técnico para nomeá-lo, e o manejou em contextos em que não havia espaço para vulnerabilidade. Essa distinção importa, e meus pacientes sentem a diferença.
Minha especialidade é o acolhimento de quem percebe que a estratégia externa já não é suficiente. O sucesso, o cargo, a imagem construída com anos de disciplina: tudo isso pode estar intacto enquanto algo essencial cobra passagem.
Trabalho especialmente com o que Jung chamaria de crise de individuação, e que no cotidiano se apresenta como a sensação de que o papel que você ocupa e o ser que você é pararam de convergir. Esse é o território clínico onde a minha trajetória e a teoria analítica falam a mesma língua.
O que você constrói por fora nem sempre conversa com o que carrega por dentro. Essa tensão tem nome e tem caminho.
Terapia é um Trabalho Profundo
A análise não é um processo puramente intelectual. É um convite para quem busca integração... e está disposto ao que esse processo exige.
Minha trajetória não é um desvio de percurso. É a razão pela qual a escuta que ofereço tem a profundidade que tem. O tempo não foi um atraso; foi a ferramenta que confere segurança à clínica.
Se você busca uma escuta que entende tanto a profundidade da alma quanto a pressão do agora, o trabalho começa aqui.
Ricardo Lauricella, Analista Junguiano certificado. Atendo presencialmente e online.




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