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Autoconhecimento: Saiba o que seu Pet Revela Sobre Você na Psicologia Junguiana

  • Foto do escritor: Ricardo Lauricella
    Ricardo Lauricella
  • 28 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 17 de jan.

cachorro Boy e seu tutor Ricardo Lauricella, terapeuta
Boy e Ricardo Lauricella

 

Mais do que companhia, eles são agentes do nosso destino e chaves para o autoconhecimento. Entenda como essa relação pode revelar os segredos da sua própria alma.

É inegável a importância que os animais de estimação têm em nossas vidas. Com o nosso mundo repleto de interações digitais e tempo escasso, eles oferecem companhia, afeto e um espaço seguro para exercermos nosso cuidado. O mercado para pets, inclusive, mostra uma resiliência notável, mesmo em tempos de crise, como apontado em uma notícia da CNN Brasil.


Mas, e se essa conexão for muito mais profunda do que imaginamos? A psicóloga e analista em formação Natalhe Costa, em seus estudos sobre o tema, nos convida a fazer um recorte específico: refletir sobre como esses seres nos auxiliam em nossa jornada de autodescoberta. Sob a ótica da psicologia analítica de Carl Gustav Jung, nossos pets surgem como verdadeiros agentes do nosso destino.

 

A Escolha da Alma: Um Encontro Marcado

Você já ouviu alguém dizer "nossa, como fulano e seu cãozinho se parecem"?  Essa observação popular tem um fundo de verdade psicológica. Segundo a perspectiva junguiana, não somos nós que escolhemos nossos animais por acaso. É a nossa alma que busca a proximidade com seres que, por uma sintonia que acontece no inconsciente, podem nos ajudar a enxergar onde precisamos melhorar.


Essa escolha é o primeiro passo de um processo fascinante que se desenrola através de um mecanismo chave: a projeção.

 

O Espelho da Alma: Entendendo a Projeção

Quando falamos em projeção na psicologia, não é o sujeito que decide projetar, mas sim o seu inconsciente.  Imagine um projetor de cinema: ele lança uma imagem que está dentro dele em uma tela externa. De forma parecida, nossa mente "projeta" sentimentos, qualidades e conflitos nossos em um animal, sem que a gente perceba.


Pense naquela situação em que você se sentia triste e seu animalzinho de estimação se aproxima, te "obrigando" a parar e refletir, a dar atenção. Sua primeira reação pode ser "ele sentiu que eu estava triste". Para Jung, essa pode ser a sua própria necessidade de acolhimento sendo projetada e, através do animal, sendo atendida. O animal se torna uma ponte para o mundo externo e para o nosso mundo interno.

 

A Voz da Sombra: Quando seu Pet "Fala" por Você

Um dos conceitos mais importantes de Jung é a Sombra. De forma didática, imagine que você é um objeto sob a luz do sol. A parte iluminada é a personalidade que você mostra ao mundo, suas qualidades e tudo que você aceita em si. A Sombra, como o próprio nome diz, é a parte de trás, que você não vê, mas que te pertence e te dá corpo e substância.


Nela, guardamos aspectos que julgamos desagradáveis, imorais ou simplesmente difíceis de aceitar em nós mesmos.


E como os animais entram nessa história? Eles dão voz a essa nossa sombra. Natalhe Costa nos dá um exemplo clássico: "Imagine todas as vezes que você nunca teve coragem de falar tudo aquilo que pensa e sente sobre uma determinada pessoa e um belo dia seu cãozinho late e ameaça esta mesma pessoa". Naquele momento, você o segura, pois é o ato civilizado a se fazer, mas por dentro, sente uma secreta satisfação.  Seu cão expressou a agressividade que você reprimiu. Ele deu voz à sua sombra.

 

A Prova na Prática: Animais no Consultório Terapêutico

Essa teoria ganha ainda mais força quando observamos o papel dos animais na prática clínica. Um estudo publicado na revista JUNGUIANA investigou a presença de animais em consultórios de psicologia. A pesquisa concluiu que eles são "ferramentas valiosas a serem utilizadas no setting (espaço) terapêutico".


Os resultados mostraram que a presença de um animal auxilia no estabelecimento do vínculo entre paciente e terapeuta, especialmente com crianças , e cria um ambiente de suporte emocional para ambos.


Em casos relatados tanto por Lois Abrams (psicoterapeuta autora de um artigo de 2008 chamado "My dog is my co-therapist" - "Meu cachorro é meu coterapeuta") quanto por psicólogas entrevistadas, pacientes que sofreram traumas graves, como abuso sexual, só conseguiram revelar o fato após contá-lo primeiro ao animal presente na sala de terapia. O animal se torna uma ponte segura para acessar e elaborar dores profundas.

 

Um Convite ao Autoconhecimento: O que seu Pet te Mostra?

Entender essa dinâmica não serve apenas para ampliar o conhecimento, mas para nos ajudar a sermos mais completos. Reconhecer nossa sombra, segundo Jung, é a primeira e indispensável etapa do processo de autoconhecimento.

 

Portanto, o convite está feito. Observe seu companheiro de vida e questione-se:


Como é a minha relação com ele?

Isso pode revelar como você se relaciona com o dar e receber afeto, e com sua própria sombra projetada.

 

Que papel ele desempenha?

É seu "amigo"? Talvez isso aponte para uma necessidade de companhias que te aceitem como você é. É seu "filho"? Talvez seja importante para você exercer esse cuidado e maternagem.

 

O que no comportamento dele te incomoda?

A intensidade desse incômodo pode ser a medida de uma parte sua que você resiste em aceitar.

 

 

Ao fazer essas perguntas, a jornada já começou. E talvez, a maior contribuição que seu animalzinho de estimação lhe dará é exatamente esta: te ajudar na descoberta de ser quem você realmente é.


O meu cãozinho, o Boy, tem me ajudado muito. O que seu animal projeta pode ser o início de uma grande descoberta interna. Se você deseja aprofundar essa análise, a Terapia Junguiana pode ajudar a desatar esses nós.


Ricardo Lauricella, jornalista. Analista junguiano em formação. E tutor de pet apaixonado.

 
 
 

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