top of page
Buscar

Você não precisa escolher uma carreira

  • Foto do escritor: Ricardo Lauricella
    Ricardo Lauricella
  • 5 de mar.
  • 2 min de leitura
A ideia de que somos uma coisa só nunca fez sentido para a psique humana. Fez sentido para o RH.

Existe uma pressão silenciosa e sistemática para que cada pessoa caiba numa caixa: um cargo, uma área, um LinkedIn linear com começo, meio e narrativa coerente de ascensão. Quem não se encaixa nesse modelo tende a se sentir incompleto, como se estivesse faltando foco ou maturidade profissional.


Mas e se o problema não for você? E se o problema for o modelo?



mudança de carreira
O mito da carreira única

O mito da carreira única

Chegamos aos 40, aos 50, com versões inteiras de nós mesmos que nunca receberam luz. O estrategista que também pinta. A financeira que também que é também ceramista. O executivo que também escreve poemas. O jornalista que também analisa o inconsciente alheio. A cultura do foco absoluto trata essa multiplicidade como dispersão.


A psicologia a reconhece pelo nome correto: riqueza de repertório.


Jung chamava de individuação o processo de integrar as partes fragmentadas do self.


Não é coincidência que as pessoas mais realizadas que conheço não são as mais especializadas. São as que encontraram um modo de fazer os próprios fragmentos conversarem entre si.


Ter múltiplas carreiras não é fuga. É arquitetura.

Quando o analista sensível senta à mesma mesa que o gestor pragmático, o que surge não é contradição. É uma terceira inteligência, mais complexa e mais difícil de replicar do que qualquer especialização técnica isolada.


Isso tem nome no mercado, embora o mercado use o termo sem entender a profundidade: multipotencialidade.


Mas antes de ser uma tendência de LinkedIn, é uma descrição precisa de como a psique funciona. Somos múltiplos por natureza. A questão nunca foi se podemos desempenhar papéis diferentes. A questão é se nos permitimos fazê-lo sem culpa.

Múltiplas carreiras simultâneas não são sintoma de indecisão. São, muitas vezes, a estrutura mais honesta que uma pessoa pode construir para si mesma.


O que acontece quando você para de competir com você mesmo?

Existe um custo físico e psíquico real em suprimir partes de si. A dficuldade para dormir, bruxismo noturno, a fadiga crônica, a sensação de estar sempre levemente no lugar errado. Tudo isso pode ser o ruído de versões suas que estão competindo por espaço em vez de colaborar.


Quando você autoriza a coexistência, algo muda. A rigidez cede. A criatividade aumenta porque os circuitos se cruzam. A tomada de decisão melhora porque você enxerga o problema de ângulos que a pessoa de carreira única literalmente não tem acesso.


A celeridade de quem navega em águas distintas não é desordem. É antifragilidade aplicada à identidade.


Não é sobre transição. É sobre expansão.

Se você está sentindo que suas versões estão prontas para parar de se sabotar mutuamente, o primeiro movimento não é um pivot de carreira. É um ato de reconhecimento: você nunca foi uma coisa só, e isso nunca foi o problema.


Ser muitos, bem integrado, é a vantagem competitiva mais difícil de copiar que existe.


Ricardo Lauricella, Analista Junguiano e executivo de Comunicação Corporativa. Simultaneamente, não apesar disso.

 
 
 

Comentários


bottom of page